Sunday, August 09, 2009

Para você sabe quem

Eu nunca vi teus olhos fechando, teus cílios mexendo, não conheço a tua mão. Nunca vi tua boca abrindo, teu peito batendo, nunca ouvi tua respiração. Não sei que cheiro tem tua nuca, como andam os teus passos, que largura tem teus ombros. Eu não conheço teus dedos, não toquei teu rosto, nunca senti teu gosto. Nunca vi teus pés descalços, nunca acordei com teus passos. Nunca te vi de costas, indo, vindo ou ficando. Nem sentado, nem sonhando, nem olhando pros lados. Nunca te vi nadando, nem te encontrei na rua, nunca cruzei teu caminho. Não apertei minha mão na tua, nunca te vi suando, não sei como é teu carinho. Eu nunca encostei na tua pele, não beijei teu rosto, não paguei teu almoço. Eu nunca te ouvi cantando... Mas já dancei tua música, já percebi teus medos, vi graça em tuas piadas, dormi com as tuas palavras. Já senti teu calor no frio, quis jogar tudo pra cima, já me senti uma menina. Já torci pelo teu time, acordei com teu bom dia, falei o que não devia. Te escrevi segredos, confessei um desejo, desejei boa noite, dorme bem, um beijo. Eu nunca vi teus olhos fechando, teus cílios mexendo, não conheço a tua mão. Mas conheço a mão do destino e talvez ele queira a mesma coisa que eu. E eu só quero que o nunca, e só o nunca, não seja pra sempre.

Thursday, July 02, 2009

De volta para o futuro

Lembrei das reuniões-dançantes da minha adolescência. E reuniões-dançantes me lembram salgadinhos fedidos da Elma Chips, refrigerante quente, meninos pra um lado, meninas pro outro. Lembram também que tenho que brigar com o meu pai e perguntar por que eu tinha sempre que ser a primeira a ir embora. Ele marcava de me buscar a meia-noite. E chegava, pontualmente, 15 minutos antes.

Tudo isso também me faz lembrar do menino por quem eu perdi o sono dos 10 aos 13 anos. O mesmo menino que demorou esses anos todos pra me tirar pra dançar. Até o dia em que veio andando em câmera lenta na minha direção e fez a tão esperada pergunta:

- Quer dançar comigo?

Reuniões-dançantes me lembram que, 3 anos de sofrimento e amor platônico depois, eu fiquei nervosa, me confundi na resposta e disse não, obrigada. Ele virou as costas, baixou a cabeça e saiu andando muito rápido. Dessa vez, nada de câmera lenta.

Reuniões-dançantes me lembram de como era bom dançar juntinho. Mesmo que o juntinho significasse um metro e meio de braços esticados. Quando muito rolava uma mão na nuca, uma respiração no ouvido. Claro, isso se a trouxa da menina dissesse sim quando o menino a convidasse pra dançar. Tudo isso me lembra Duran Duran, Phill Collins e outras bandinhas que sabiam, sim, como fazer a música perfeita pra ocasião.

Anos, anos e mais anos depois, estou aqui ouvindo uma música que me faz voltar no tempo e lembrar como essa época era boa. Mesmo com o fedor do Elma Chips e o refrigerante quente, mesmo com o relógio adiantado do meu pai. Só que esses anos não voltam mais. O que voltou foi a minha vontade de dançar com alguém. Alguém por quem eu esperei durante um bom tempo. Dessa vez, com a certeza de que depois de uma grande espera, eu não tenho outra resposta na cabeça, no coração e na boca que não seja um sim.

Thursday, May 28, 2009

Why does it always rain on me?

Tem uma nuvem tapando os meus olhos.
E elas estão cheias de chuva.

Ouvindo Travis: sunny days, where have you gone?

Wednesday, May 27, 2009

Suspiro do dia

As pessoas deveriam sempre dizer o que sentem.
Mesmo que seja um "sinto muito".

Friday, May 15, 2009

Friday I'm in love*

Dia cinza e úmido ontem. Chuva lá fora e aqui dentro. Asfalto derrapando, conversas congestionadas, pessoas escorregadias. Noite fria, vento soprando coisas chatas no meu ouvido, sono inquieto, sonho cinza e seco. Acordei com a cabeça nublada hoje, mas não sou de ficar muito tempo sem ver o sol nascer.

*
Dias assim eu curo com música alta. O vento pode até soprar, não vou ouvir. The Cure Acoustic não me dá respostas, mas me empresta. Hoje é sexta. E Robert Smith me diz que é dia de estar apaixonada.

*

No meu set list, tudo o que eu queria agora:
Close to me
Just like heaven
Love song

*

Prêmio de frase mais gostosa do álbum: We should have each other with cream.

*

E logo mais à noite, antes dos sonhos coloridos, eu diria: Let's go to bed.

Thursday, April 23, 2009

We´ll always have Paris



Eu AMO essa série de filmes de Cartier. Esse é o volume 3, acho que são 20 12. Vale a pena ver todos, em ordem, e perceber a ligação que existe entre eles.

A propósito, São Paulo/Paris/São Paulo pela Air France por US$800. Aí eu pergunto: o que eu estou fazendo aqui que não estou lá, rodopiando desse jeito?

Wednesday, April 15, 2009

Congestionamento


Tempos atrás, na intenção de descobrir meu ascendente, fiz uma conta no tal do Personare. Desde então, quase todos os dias, recebo um email com previsões feitas com base no meu mapa astral. E há quase 2 meses esses emails dizem praticamente a mesma coisa: um novo amor está a caminho.

Senhor do Céu, mas que caminho longo é esse? Será que ele se perdeu? Está vindo a pé?

Calma, centauro: ele deve estar preso no trânsito astrólogico.

Tuesday, April 14, 2009

Enquanto isso, no almoço

É só ter um pedaço de salmão cru, um punhado de arroz e uma faca afiada na mão que eles acham que podem sair por aí cometendo crimes horríveis. Morte ao "sushiman" que inventou o Amendoskin, um enroladinho de salmão skin com, adivinha? Amendocrem. Eu vi, com esses olhos de peixe que a terra há de comer. Pena máxima pra ele. Que frite, eletrocutado, com a bunda em cima de uma enguia.

Saturday, April 04, 2009

Pra sempre

Thursday, April 02, 2009

And I dreamed your dream for you and your dream is real

Não quero mais uma história com final feliz. Quero uma história feliz sem final.

Música de hoje (e de ontem): Romeo and Juliet. O clássico do Dire Straits na voz de Brandon Flowers, do Killers.

Tuesday, March 31, 2009

Mais uma do Joãozinho

Então eu estava conversando com a minha mãe e falando o quanto tal pessoa era bonita.

- Ele é lindo por fora, lindo por dentro, lindo por tudo.

Percebi que tinha um ouvido em pé do meu lado.

- Mãe, desculpa, mas ele não é bonito por dentro. Ninguém é.
- Imagina, João! Tem muita gente linda por dentro. Tu, a mamãe, eu, o fulano, a fulana...
- Vovó, tu quer saber mais que eu que fui sexta-feira ver aquela exposição? Só o que tinha lá era corpo humano aberto!

Até tentei explicar. Mas ele tinha 50% de razão. E, mesmo empatados, com essa ele me ganhou. Mais uma vez.

Monday, March 30, 2009

Amanhã

O que até pouco tempo atrás eu chamava de vazio aqui dentro do meu peito, hoje eu chamo de espaço.

Ouvindo Instant Messenger, do Muse.

Thursday, March 26, 2009

Naked as we came

Aqui é proibido comer qualquer coisa nas salas. E beber também. Nem pensar em café, refrigerante, suco, água. Nada líquido perto do teclado, pra não o correr risco de derramar. Quanto a lágrimas, ninguém me disse nada. Ainda.

*Iron and Wine. Clipe mais lindo.

Saturday, March 21, 2009

AMO

Faz um tempinho que não vou ao Beira-Rio, apesar da carteirinha estar em dia e do coração ser cada vez mais vermelho. Minha primeira vez no estádio foi em 1900 e não me lembro*, estréia do Rubem Paz no Inter (!). Eu era uma pequena carioca ex-flamenguista de 10 anos. Quando não ia aos jogos, os jogos vinham até mim: fui vizinha de porta do Falcão por anos e quase sempre após as partidas eu via ele chegando em casa com seus enormes cachos loiros na cabeça. E, uma vez, com uma linda taça dourada nas mãos. Nos últimos 6 anos fiquei rodeada de gremistas. Filho, (ex)namorado, amigos. Não dava pra ir ao estádio sozinha, o que fazia com que eu fosse a muito menos jogos do que gostaria. Todos, no caso.

InterXSão Paulo, final da Libertadores da América. Chuva, frio absurdo, cara pintada com urucum preparado pelos índios, 7 horas no estádio mais 4 horas pra conseguir voltar pra casa. Valeu a pena e sempre vai valer.

Em 2009, as coisas vão ser diferentes. O Beira-Rio vai me ver com frequência. Começando pelo dia 04/04, quando estarei, bem linda de vestido vermelho, na festa do time que eu amo. Meu convite está na mão. E eu vou, nem que seja sozinha. Qualquer coisa é só puxar papo com o Falcão.

*pós-post: o primeiro jogo oficial de Rubem Paz pelo Internacional foi em 10.02.1982, na vitória de 5x0 sobre o Goiás, pelo campeonato brasileiro.

Friday, March 20, 2009

Nada como dar um F5


Se a vida sorri pra mim eu retribuo. E vice-versa.

Tuesday, March 10, 2009

Cuidado com o que você deseja, pode acontecer.

Rio de Janeiro antes do fim do verão.


E Buenos Aires, assim que a temperatura cair.



Estou desejando. Muito.

Saturday, March 07, 2009

Fall on me*


Pega na minha mão. Olha para os meus dedos e diz que gostou da cor do meu esmalte. Mesmo que ele não tenha cor. Fala que ele combina com o meu batom, que nada mais é do que a cor natural da minha boca. Fica girando o meu anel, procurando o melhor ângulo do brilhante falso em meu dedo fino e longo. Olha para a outra mão e repara que ela não tem anel. Segura com firmeza nessa mão vazia e preenche esse vazio com teus dedos. Preenche também o silêncio com a música que mais gosto. Eu nunca vou precisar te dizer. Com o tempo, você vai descobrir qual é. Vamos dançar a mesma música a noite toda. E nem vamos perceber, já que o tempo vai parar. Olha nos meus olhos e me conta que já havia sonhado com eles. Foi um sonho estranho, com rostos desconhecidos. Eu era eu, com outras feições, outra voz, outro cabelo. Mas era eu, você sabia que era. Os olhos eram os mesmos que você reconheceu quando me viu acordado pela primeira vez. Diz que cansou de dançar. Não porque cansou mesmo, mas é a desculpa para deitarmos lado a lado no tapete da sala, olhando uma lua imaginária bem acima da gente. As estrelas a gente veria mais tarde. Depois de ficar horas olhando para cima, segurando a vontade de olhar para o lado. Uma vontade que nunca mais teremos a partir do momento em que, pela primeira vez, nos olharmos de frente.

*R.E.M "So if I send it to you, you've got to promise to keep it whole"
postado originalmente em agosto de 2006.

Thursday, March 05, 2009

And the good times are growing*

Olhar no espelho dava desgosto, olhar pra dentro dava desgosto, olhar pra trás também. Passei alguns dias não gostando de mim. Querendo ser alguém que não era eu. Querendo viver uma vida que não era a minha. Cheguei a sonhar que era outra pessoa. Todas as vidas pareciam ser mais interessantes e menos complicadas. Vendo um programa na TV, me peguei desejando ser uma paulista que mora no Rio e que está à procura de um namorado. Quase um reality show, tipo "mulher solteira procura". Invejei o domingo que ela passou na casa de amigos franceses. Invejei seus amigos, os franceses e também os brasileiros. Invejei a piscina da casa, a vista, a decoração. Invejei o almoço delicioso, o clima divertido. Invejei o sorriso que todos tinham no rosto. Mas só depois percebi que não, não invejava o motivo dela estar ali: a busca por alguém. Um namorado. Não é o meu caso, não estou procurando ninguém. Mesmo porque essas coisas não se procura e é tão mais legal quando nos acham. E aquela vida, cheia de brincadeiras e sorrisos, talvez só fosse assim em frente às câmeras. No fundo, a paulista que mora no Rio talvez sentisse um vazio por estar na busca pelo que não encontra. A essa altura, desejo mesmo que ela tenha preenchido esse vazio, pelo menos por enquanto, na maravilhosa casa com piscina em Santa Teresa. E que ela sorria ainda mais quando se sentir completa, na companhia dos amigos e do namorado. E que ela viva plenamente essa vida que é só dela.

Dia desses tive vontade de ser uma criança, tive vontade de ser muito rica (essa eu ainda tenho), tive vontade de ser uma médica dona do seu próprio nariz. Tive vontade de ter nascido em outra cidade, em outro país, em outra época. Tive vontade de voltar atrás. Ou de ir correndo pra frente. Curioso. Porque hoje, hoje mesmo, agora, tudo o que eu quero é viver este exato momento. Assim, como ele está. E é poder ser eu. Assim, como eu sou. Quero falar o que eu quero sem medo de ouvir o que não quero. Fazer o que tenho vontade e não precisar fingir quando não tenho vontade nenhuma.

Hoje eu quero e vou ser eu. Amanhã também. Com muito gosto e olhando pra frente.

* Take me away, música de um dos B'sides do Oasis. É linda, tá aqui nos ouvidos, no repeat.

Sunday, March 01, 2009

Eu te amo, me disse hoje o espelho

Um dia desses uma amiga me contou que, depois de uma semana de cão no trabalho, chegou em casa e foi direto mergulhar seu corpo cansado na água morna da banheira. Olhos borrados, cabelos escondidos dentro de uma vergonhosa touca de plástico, pés inchados, unhas com esmalte descascado. Pelo menos foi assim que imaginei a cena, do jeito que ela contou. A mulher mais feia do mundo. Palavras dela. Então o marido entra no banheiro e docemente pergunta se pode ficar ali, quietinho, sentado no chão. Só olhando, admirando a mulher mais linda do mundo. Palavras dele.

Eu não acreditaria se não já não tivesse passado por situação parecida. O quadro da dor ali na parede e alguém olhando com cara de bobo como se eu fosse uma obra de arte. É, eu realmente não acreditaria se já não tivesse passado por situação parecida. Mais de uma vez. Várias vezes. Minhas monstruosas olheiras já foram charme aos olhos de alguém. "Bonita até os poros" foi o que ouvi quando reclamei dos efeitos do tempo sobre a minha pele. E as minhas canelas finas? Que canelas finas, tuas pernas são lindas. Não, lindas elas seriam se eu tirasse a gordura desses pneus aqui do ladinho e injetasse lá, nas canelas finas. Tá louca? Antes louca do que gorda de canela fina. Louco sou eu, por você, ele disse. E nessa hora calou minha boca com um beijo como se eu fosse a Angelina Jolie, dona dos lábios que todas nós gostaríamos de ter. Porque, para ele, minha boca era exatamente isso, perfeita. A boca que ele gostaria de ter, bem perto da dele.

Na falta de um beijo deveríamos ser caladas por nossa consciência, por nosso amor próprio ou pelo nosso espelho. Amordaçadas, toda vez que começássemos a tagarelar sem parar, nos criticando, sempre procurando (e, incrível, achando) imperfeições que, na sua maioria, só nós vemos. Imperfeições que se olharmos bem, são apenas pequenos pedaços de nós que, junto com outros pedaços formam um todo perfeito. Formam a pessoa única que cada uma de nós é.

Perdão a quem disse que o amor é cego. Não é coisa nenhuma. Ele enxerga tudo. Enxerga melhor que todos. Sem distorção de imagem. O amor é bom, não é cruel. Só o amor faz tudo ficar mais bonito, faz a celulite desaparecer, faz a gordura derreter, faz a canela engrossar. Só o amor faz a canga cair, o biquíni diminuir, a bunda endurecer, faz a pele brilhar. E faz a felicidade existir. Aos olhos de quem ama, tudo é lindo.

O tempo passa. Está mais do que na hora. Não de se gostar, isso é fácil. Mas de se amar, de se apaixonar, de não poder mais viver sem você mesma. Chega de deixar de fazer, de perder oportunidades, de se render para complexos. Sem essa de apagar a luz do quarto e acender velas. Experimente caminhar lentamente na borda da piscina e entrar devagar na água. Mergulhe rápido, mas de cabeça na vida. Se esconda, mas de um homem que não te interessa. Sinta a tal da vergonha, mas por ser muito sem-vergonha. Quer perder peso, comece tirando de você o peso da culpa. Deixando sua consciência mais leve. Chega de não isso, não aquilo. Use saia! E saia! Saia de dia, saia de noite, saia de si. E entre no maravilhoso mundo das mulheres apaixonadas pelo que são, e não pelo que gostariam de ser.

Friday, February 27, 2009

Hugh: onomatopéia de soco no meu estômago




Fotos novas, texto antigo. Ele é, definitivamente, o homem mais sexy do meu mundo.

*
A propósito: feliz aniversário, Mona. Que teu dia seja lindo, como esse cara aí de cima. :)
*

Pensando bem
Minha casa está um caos. Uma vergonha. Um lixo. Uma bagunça enorme. Tão grande que eu juro: não deixaria ninguém entrar aqui hoje. NINGUÉM.
Nem se tocasse o interfone agora, e:

- Dona Dani, visita pra senhora. Seu Marcelo Anthony.
- Ah, não. Inventa que eu não tô.

...

- Dona Dani, chegou visita.
- De novo? Despacha, Vanderley, despacha.
- Dona Dani, mas é o Tom Cruise. E é ele MESMO.
- Diz que ainda não cheguei. Diz qualquer coisa. Manda ele embora. Diz pra passar outra hora, mas não deixa ele subir.
- Pronto, Dona Dani, o Seu Tom já foi.
- Ótimo, melhor assim.

...

- Dona Dani, chegou outra visita.
- Mas quem é agora???
- O Seu Hugh.
- Não, não deixa passar do portão! Pelo amor de Deus, não!
- Seu Hugh Jackman, o senhor desculpa, mas ela não está.
- Jackman??? Meu Deus, pensei que era o Hugh Grant! Chama ele, Vanderley, rápido!
- E o que eu digo?
- Só pergunta se ele é alérgico a poeira e manda subir. Rápido.

Wednesday, February 25, 2009

9.4.3

Ensaiei durante dois meses. Escreve, apaga, reescreve, deleta. Espera uns dias, escreve, apaga, reescreve, deleta. Ontem, mais uma vez, escrevi. Sem reescrever, sem deletar. Apertei a tecla verde. Send.
Estranhamente, minhas palavras sequer saíram do aparelho. Não sei se foi erro da operadora ou acerto de Deus. Só sei que elas continuam ali, entaladas na garganta do meu celular.

Monday, February 09, 2009

A tristeza do belo, a beleza do triste

Coisa mais bonita que uma amiga me disse hoje:
"Chorei muito. Mas embaixo dos olhos ainda ficou uma bolsa de lágrimas-reserva".


A mão dela, a dela e a minha.

Fala, Neruda

Quem me mandou escancarar as portas do meu próprio orgulho?

As coisas mudaram. Simples assim, porque as coisas mudam. Coisas, vidas, sentimentos, razões, idéias, pessoas, planos, rotas, caminhos, estações, temperatura, assuntos, opiniões, gostos, preferências. Mudam os cabelos, cortes, cores. Mudam as peles, tons, texturas. Mudam a moda, roupas, desejos. As coisas mudaram. Simples assim, como o dia vira noite logo que chega ao seu fim. As coisas mudaram porque elas não podiam mais ficar como estavam. Simples assim.

Que mais pesa na cintura, as dores ou as recordações?


A Favorita acabou. E logo começou o tal caminho da Gloria Perez. Tudo muito lindo, muita beleza, muito ouro, amores sublimes, olhos que brilham. Tem quem vá sentir falta da outra, que tinha brigas e contradições. Tem quem vá preferir a atual antes mesmo de se envolver com a trama. Mas as coisas mudam. Os protagonistas mudaram. Mas é sempre a mesma novela da vida. Já viram que curioso? Casamentos, sempre no último capítulo. É como se já começassem acabando.

Não, não estou amarga. Talvez um pouco cética. A ponto de só acreditar em Deus.

Por que andamos tanto tempo crescendo para nos separarmos?

Thursday, February 05, 2009

Vivendo e (des)aprendendo

Eu não aprendo. Definitivamente, eu não aprendo. Não é burrice, não é má vontade, não é falta de atenção nem de capacidade. A vida me ensina e eu custo a aprender. Certos conteúdos me são apresentados há anos, cansei de estudar a respeito e, na hora da prova, nota zero. Matérias repetidas tinham que ser tiradas de letra. Mas que nada, essas são as mais difíceis. Por que não consigo achar que 2 e 2 são simplesmente 4?

No colégio eu era bem inteligente até. Mas não gostava de estudar. Odiava. Nunca gostei de teoria. Se ia bem na matéria, era por sorte de ter absorvido o conteúdo durante as aulas. Se não, só tirava nota boa se colava de algum colega mais abastado de conhecimento do que eu. Sim, eu colava. Já fiz prova com as coxas lotadas de fórmulas matemáticas, de datas históricas, de elementos químicos, do nomes importantes. Napoleão e Pascal já andaram ali perto dos países baixos.

Mas nessa tal de vida, eterna prova, teste após teste, é difícil. Os amigos ajudam, a mãe repassa a matéria, já tentei professor particular, já até virei noites estudando. Nada. Quem sabe um dia eu aprendo. Sou inteligente e tenho vontade de aprender.

Mesmo porque, na vida não dá pra colar do cara ao lado. O professor lá de cima não é bobo: ele sempre dá uma prova diferente pra cada aluno.

Wednesday, January 28, 2009

Anime-se!



Me sinto num desenho animado que de animado não tem nada. Sou o Tom com o rabo entre as pernas, tomando bronca da empregada negra e gorda que fala grosso. Sou o Coiote levando bigornadas de chumbo na cabeça e vendo estrelinhas. Sou o cara aquele que fica correndo em volta do trailer procurando pelo urso. Sou o Donald sofrendo nas mãos do Tico e do Teco, tudo por causa de meia dúzia de nozes. Sou o Pica-Pau na fila do correio. Fila esta onde só existe ele e, mesmo assim, sua ficha é a de número 500. Estou no meio do seriado do Batman. Pows! explodem na tela. Na abertura do Agente 86, onde uma porta se abre, uma se fecha e outra se abre de novo. Até a próxima se fechar e eu dar de testa. Vejo fantasmas como o Scooby e o Salsicha, mas sou mais a Welma e sei que eles são apenas pessoas disfarçadas querendo me assombrar.

Essa Corrida Maluca está apenas começando. E pra cruzar a chegada preciso acreditar que posso ser também o Leão da Montanha. Não por covardia, mas por coragem. Preciso sair pela direita e encarar tudo de frente porque a vida anda querendo ficar cor de rosa pra mim. Não tenho nada de Penélope, mas chegou a hora de confiar no meu charme, encarnar o Mutley e fazer alguma coisa pra conquistar minhas medalhas.

Tuesday, January 27, 2009

Da série: recordar é viver - Parte I

Começo a publicar hoje aqui, entre um texto novo e outro, uma série de posts escritos por mim entre 2004 e 2007. Posts, esses, que em uma certa noite, num ataque de fúria, foram deletados sem dó nem piedade. E que, nessa mesma noite, me fizeram chorar de saudade apenas dois minutos depois que foram enterrados. Mas milagres acontecem e todos os arquivos acabaram voltando para as minhas mãos (obrigada,l.!), porque do meu coração eles nunca saíram. Todos eles, até os que me matam de vergonha, moraram e vão morar pra sempre na minha vida que passou, na que ficou e na que vem por aí. Vocês não têm noção da minha felicidade. Reencontrar esse pedacinho de mim é uma alegria de 1.77m de altura.

***

[[[Segunda-feira, Maio 15, 2006]]]
Agora eu sou uma mãe famosa

Sábado, 9 da manhã, frio do cão. Lá estava eu na escola do João, sentadinha esperando começar a apresentação em homenagem às mães. Crianças, fantasias, frases decoradas com esforço - que coisa mais linda - lágrimas e aplausos.

Na hora de ir embora, João pede pra eu olhar o enorme painel que todos fizeram para suas mães. Cada uma de nós foi desenhada, bem grande. E, ao lado, um comentário dos respectivos filhos:

"Minha mãe é linda. Ela gosta de andar de bicicleta e caminhar no parque."

"Mamãe brinca comigo, faz comida pra mim, me leva na pracinha e eu amo ela."

"Eu adoro a minha mãe. Ela gosta de ler, ouvir música, ir no supermercado. Ela tem cabelo com cachinhos."

Nenhum desses era pra mim. O meu estava escrito com uma letra um pouco maior, era mais colorido, a boneca desenhada era linda e se destacava no meio dos outros:

"Minha mãe adora soltar pum, fazer cocô e dormir."

Pelo menos ele não contou que eu ronco.

Sem mais para o momento,
atenciosamente

Daniella Ferreira

Friday, January 23, 2009

Big Joy


Alguns indícios de por que tenho certeza que preciso urgentemente tirar uns dias de férias:

1. No início da semana fui almoçar num restaurante a quilo. Servi a comida direto na bandeja, sem o prato.

2. Ontem, durante uma reunião numa sala cheia de gente e outras participando via webcam/skype, falei num copinho de café achando que era o microfone.

3. E hoje perguntei a uma amiga se o leão que aparecia ao lado dela numa foto da lua de mel na África era de verdade ou empanado.

Falta pouco. Só mais três dias de trabalho e lá vou eu.
Minha cabeça anda viajando muito. Tá na hora do corpo fazer o mesmo.

Sunday, November 30, 2008

Relendo as cartas

Querido Papai Noel,

Em primeiro lugar, gostaria de pedir desculpas por quase 30 anos sem mandar notícias. É que andei meio ocupada (ou seria mais apropriado, desocupada?) esse tempo todo, acreditando em outras coisas, em outras pessoas e até em mim mesma. Pra não perder mais tempo, resolvi escrever para o senhor já agora, bem no iniciozinho de dezembro. Afinal, segundo a decoração dos shoppings e os comerciais na televisão, o Natal está aí e logo, logo os perus estarão apitando no forno, a Simone estará cantando nas rádios e todo mundo vai começar a se amar de uma hora para a outra. Daqui a pouco alguém entra na minha sala com papeizinhos de amigo-secreto, o SBT reprisa pela décima vez Esqueceram de Mim e a Globo começa a anunciar o Especial de Natal do Roberto Carlos. É, mais uma vez entramos na reta final de um ano para encarar as curvas de outro.

Sabe, meu velho, esse ano foi bem difícil pra mim. Ainda bem que voou. Aliás, voou como todos voam. Faz anos que ouço isso. Deve ser a frase mais dita no mundo, depois da clássica “será que vai chover” dentro de elevadores ou “no nosso aniversário quem ganha o presente é você” em propaganda de supermercado: o ano voou. Pois agora, olhando pra trás, parece mesmo que passou rápido. Mas quando ainda estávamos em janeiro, o tal ano se arrastava. Olho lá pro dia primeiro do ano e lembro que ele já começou com uma perda pra mim. Uma perda que, agora, não significa nada, porque na verdade ela nunca foi um ganho e só eu não via isso. Em 2006, perdi uma amiga. Não, não, ela não morreu. Está bem viva, graças a Deus. Mas não vive mais na minha vida. Aquela perda acabou sendo um ganho pra mim, porque comecei a aprender a dizer não. A não pedir desculpas quando sei que a culpa não foi minha. Em 2006, perdi meu carro. Bem material, eu sei. Mas ele era umas das coisas mais concretas dentre minhas conquistas emocionais. Sem carro, mas com saúde pra andar a pé, de ônibus, de táxi, de carona, de cabeça erguida. Com saúde pra trabalhar, porque mesmo quando perdi um emprego não perdi o amor que tenho pelo meu trabalho. Perdi dinheiro, muito dinheiro. Perdi noites de sono. Perdi de me divertir porque achava que ganhava mais ficando em casa. Mas ganhei outros amigos que nem sabia que tinha. Ganhei coragem pra enfrentar mais uma subida da montanha-russa. Ganhei disposição pra gritar e levantar os braços na descida. Ganhei o apoio da minha família e o sorriso cada vez mais desdentado do meu filho. Perdi a paciência, o orgulho, a calma, a noção, a razão, o bom senso. Mas perdi de mim mesma quando quis me derrotar. No final, mesmo com alguns fracassos, eu ganhei.

Já me disseram que não sei pedir. E não sei mesmo, nunca soube. Posso estar dura, dura. Não sei pedir dinheiro para o meu pai, que vive oferecendo. Posso estar carente, mas não sei pedir um abraço. Por estar precisando de você, mas não sei dizer que é de você que preciso.

Preciso aprender. Tenho muito a ganhar com isso. Por isso, Papai Noel, anos e anos depois, volto a te pedir algumas coisas. O senhor já me deu o Genius da Estrela e todas as bonecas mais lindas do mundo. Já deu outro avião pro meu irmão, logo depois que pisei em cima do dele. Já deu um Playstation pro João e, assim, me deu um sorriso por vê-lo sempre feliz quando chega em casa da escola e vai correndo jogar. Agradeço por tudo, mas o que quero, dessa vez, não se compra em loja nem se põe debaixo da árvore.

Não quero ganhar nada. Quero perder. Porque só perdendo certas coisas vou começar a realmente ganhar. Quero perder o medo de ser feliz. Quero perder a vergonha de amar. Quero perder a noção do tempo quando estiver amando. Quero perder o chão quando estiver beijando. Quero perder a hora, os minutos, os segundos e ganhar uma vida inteira. Quero perder a razão pra sentir a emoção.

Agora, meu coração dói. Dói doído mesmo, uma sensação chata de ter perdido a chance de ficar calada. Um arrependimento por ter sido honesta com os meus sentimentos e sofrimentos. O problema é que, assim como no Natal, dificilmente alguém dá sem esperar receber. Ninguém gosta de não encontrar ao pé da árvore pelo menos um pacotinho com o seu nome escrito. Dessa vez, eu juro. Eu não queria um presente. Só um abraço. Só uma palavra. Só um gesto. Pra eu não achar que mais uma vez pus tudo a perder.

Era isso, Papai Noel. Desculpe se não fui clara o suficiente. Se me perdi nas palavras. Vê aí o que senhor pode fazer por mim. Prometo não encher mais o saco, nem fazer trocadilhos idiotas como esse. E prometo não roubar no sorteio do amigo-secreto fingindo que tirei meu nome só pra poder tirar outro papel.

Feliz Natal adiantado pra todos.

Saturday, November 08, 2008

Pequeno fã

video

Monday, November 03, 2008

Over my shoulder a piano falls

Tem sido bem difícil encarar o espelho. Não gosto do que vejo. Nem do que não vejo. Nem do que os outros vêem. Nem do que só eu vejo. Eu e eu. Porque eu somos nós. Eu sou mais de um e esse mais é menos do que deveria ser. Nós. Ninguém vive sozinho nem quando está sozinho. Podemos não estar felizes com alguém mas estar com nós mesmos. Podemos não brigar com o outro, mas brigamos olhando pra dentro. Somos únicos mas não somos.
Tem sido bem difícil encarar o espelho. E aquelas duas rugas entre os olhos são feias. Não porque são rugas, mas porque não vêm de experiências bonitas e sim de aflições. Rugas na testa, ou nas laterais do olhos, sim, são incríveis. Sinais do tempo. E sinal de que o tempo passou e você passou grande parte dele sorrindo. Sorrio com muita facilidade. Dou gargalhadas à toa. Mas mesmo assim tem sido bem difícil encarar o espelho. Não tenho visto sorrisos nem gargalhadas à toa. Só o que vejo é uma pinta na ponta do meu nariz. Uma pinta como um ponto. Ponto este que às vezes complementa uma exclamação, uma interrogação ou um ponto final. Ponto este que refletido em vários espelhos se transforma em reticências. São elas, as reticências, que hoje me prendem à dúvidas e mais dúvidas. Não tenho mais certeza sobre quem de nós eu sou. Se a pessoa de belas rugas na testa ou a de preocupação entre os olhos. Se a pessoa que gargalha à toa ou a que não consegue rir. Tem sido difícil encarar o que está na minha frente. Simplesmente porque eu não conheço ou reconheço o que vejo. Tenhos dois braços, duas pernas, dois olhos que veêm, dois ouvidos que ouvem. Sou perfeita. Mas sinto que não tenho muitos abraços, nem mãos que tocam, nem pés que andem na direção certa. Tudo o que vejo são imperfeições. Incapacidades, bloqueios. Crenças plantadas muito cedo e presas por raízes difíceis de arrancar. Eu quero, preciso arrancar. Quero ver essas crenças caírem por terra sem deixar nenhuma semente. Quero encarar o espelho com a mesma felicidade que um dia vou encarar o outro, ainda que esse outro seja eu.

Wednesday, October 22, 2008

Teoria da conspiração

- Quem inventou o biscoito de polvilho era mulher e queria ver todas as outras comendo sem parar para ficarem gordas.

- Ahahahahahaahah. E a cerveja?

- Mulher também. Pros maridos engordarem, ficarem com uma barriga enorme e nenhuma outra mulher olhar pra eles.

Monday, October 20, 2008

Audácia da pilombeta

Sábado pra domingo, três e tanto da madrugada. Festa de reencontro de ex-anchietanos. Gente que eu não via há muitos, muitos anos. E cerveja, que eu não bebia há 8 meses. Já mais pra lá do que pra cá, porque só mesmo mais pra lá pra eu fazer esse tipo de coisa, puxo um menino - que já não é mais menino - e falo no ouvido dele:

- Tu parece o Jude Law.


Eu, se fosse ele, tinha me jogado pro alto de felicidade e me enchido de beijo. Mas não. Um olhar meio torto cruzou o meu.

- Quem?
- O Jude Law...


De novo o olhar torto. Uma amiga me cutucou e perguntou o que eu havia dito pra ele ficar com aquela cara de poucos amigos de infância. Respondi, mais alto que a música, pra ele também ouvir, correndo o risco do terceiro olhar torto:
- Ah, só falei que ele é a cara do Jude Law.
E ele, dessa vez com o mesmo sorriso que lhe fez juz à comparação:

- Ahhhhh, eu tinha entendido Didi Mocó!

Foi aí que olhei pro DJ e pensei: som na caixa, mané.

Wednesday, October 08, 2008

I do really want to walk unafraid

Dois shows num intervalo de 5 dias. Porto Alegre e São Paulo. No Via Funchal, meu lugar lá na frente (né, ?) vai me permitir beijar o chão que o Michael Stipe pisa. Tenho até medo da catarse que isso pode provocar. Medo que as duas horas (X2) de show se transformem num segundo e que eu tente parar o tempo dentro de mim. Mas não importa. Eu vou ver ao vivo, duas vezes, e isso já transforma algumas poucas horas no melhor tempo dos últimos tempos. Isso me transforma. Em alguém que eu sempre quis ser, mesmo que por alguns acordes. Alguém que se permite sentir de verdade toda a emoção que a vida pode proporcionar, sem bloqueios, sem receios. Alguém que se divide entre antes e depois de um show do REM, porque cresceu lendo suas letras, amadureceu ouvindo suas melodias, voltou a ser uma menina cantando suas músicas e envelheceu chorando seus versos. Obrigada, meu Deus, por esse presente de aniversário. Meu futuro não vai ser o mesmo. Nem eu.



(Incrível como ninguém no mundo tem tanta presença de palco quanto ele. Tá, tudo bem, vou dar um crédito ao Ney Matogrosso...)

Monday, September 22, 2008

“Não vale mexer no texto”




Estou participando da Ciranda de Blogs, uma idéia da Flávia, do DecoraCasa. Como funciona: é tipo brincadeira de amigo secreto. Blogs se inscreveram, houve um sorteio e no dia 18 passado ficamos sabendo quem seria o nosso “blog amigo”. O presente? Um post. Escrito depois de uns dias lendo o blog da pessoa, tentando conhecer o suficiente pra escrever algo que ela própria escreveria.

O meu deve estar lá, no Chocolat Avec Des Lettres, da June. Não escrevi um post novo, mas algo me dizia que um texto meu em especial, já publicado um dia, ficaria bonito ali, em meio a fotos e poesias e aquele clima de sensualidade que rola por lá. E aqui? Bom, parece marmelada, mas quem me tirou me conhece há...20 anos? 21, pra ser mais exata. Então, fala, Márcio:


Sou ruim em matéria de guardar datas ou guardar fatos do passado.
A menos que se refiram ao Grêmio.
Até por isso, não tenho idéia do motivo que me faz lembrar exatamente o dia e o momento em que eu a conheci.

Talvez pelo fato de estar ameaçando fazer um strip tease diante da câmera de vídeo que eu tinha em minhas mãos.

Não. Não deve ser por isso.

Seja pelo que for, notei que não se tratava de uma pessoa normal.
Pelo menos foi o que eu imaginei na hora.

Mas nossa amizade cresceu desde então.
Fomos nos conhecendo por meio da turma de amigos em comum.
E, com mais tempo, fui percebendo que realmente não se tratava de uma pessoa normal.

Pois esta pessoa passou um mês na minha casa de praia durante as férias de verão.
Um mês estorvando.
Um mês comendo estrogonofe.
Um mês sendo espancada a chutes e a golpes de toalha molhada.
Ao invés de chorar e pedir perdão, apenas ria. Ria e mais ria.
Quanto mais eu batia, mais ela ria.
Não poderia ser normal.

Sim. Ela não era normal.
Nem mesmo no nome.
Ela não era Daniela...
Ela é DanieLLa.

Mas por ser anormal, é diferente de todas as demais.
Uma amizade que nem o tempo conseguiu separar...o que seria a coisa mais normal.

Essa é a Dani.

Que ainda me deve um strip tease.


Obrigada, querido Morango. Adorei tua criatividade ao inventar tanta barbaridade. E, sem querer fazer rima, não vou mexer no texto, em nome da nossa amizade. :)

Tuesday, August 12, 2008

Vida dura


- Mãe, não aguento mais comidas saudáveis. Preciso de alguma coisa que apodreça meus dentes em segundos.

(João, depois de 5 dias tomando sucos e comendo camarão na Bahia.)

Friday, July 25, 2008

Muito prazer

Daniella não tira férias de verdade há uns 4 anos.
Daniella não foi mais que duas vezes à praia desde 2006.
Daniella deu apenas um mergulho no mar em 2008.
Daniella ficou branca nos últimos dois verões.
Daniella teve três férias canceladas em 2007.
Daniella não viaja com seu filho desde 2001.
Daniella precisa de sol e calor.
Daniella decide ir para um lugar que é calor o ano todo.
Daniella vai para a Bahia amanhã.
Na Bahia faz 17 graus. Temperatura mais baixa desde 1938.

Daniella sou eu.

Tuesday, July 15, 2008

Quer dizer que hoje todos os sagitarianos estão com o coração pesado?

“Apesar de estar sentindo certo peso em seu coração, o momento pede força e capacidade de decisão. Não esmoreça por causa do cansaço, nem se atreva a desistir antes de atingir seus objetivos. Procure refletir sobre o que deseja para o seu futuro e se estiver sem planos, trate de arrumar alguns.”

Eu (acho que) não acredito em horóscopo. Mas que às vezes parece que esses efe-de-pê desses astrólogos invadem meu computador e lêem meu querido diário, ah, parece.

Wednesday, April 30, 2008

Pronto, falei

"Que todos consigamos perdoar os mal-educados. Eles simplesmente passaram nas nossas vidas. Não podem ser os responsáveis por nossos dias ruins."

Ela
escreveu e eu resolvi escrever também. Vou contar a triste história de um velho mal-educado que apareceu na minha frente dias atrás. Deixa só eu respirar fundo. Ok, lá vai:

Fui buscar o João na casa do meu irmão. Ao entrar no condomínio, o guarda me orientou a estacionar o carro na vaga de carga e descarga (leia-se: cabe um caminhão) já que todas as vagas para visitantes estavam ocupadas. Subi, peguei o pequeno e minha mãe, descemos e fomos em direção ao carro. Eis que surge um outro carro vindo na nossa direção e pára GRUDADO atrás do meu, o que impedia que eu conseguisse sair. Minha mãe pergunta, em tom de voz normal (leia-se: um pouco alto, padrão das mulheres da nossa família), se por acaso eu tinha estacionado na vaga dele. Respondo, em tom de voz normal (leia-se o mesmo alto):

- Claro que não, aqui é vaga de carga e descarga, o porteiro que disse pra eu botar aqui. De qualquer jeito, estamos saindo.

Deixa eu respirar fundo novamente, porque é agora que a coisa pega:

Então surge uma careca reluzente pela janela do carro preto e eu ouço o seguinte, em tom de voz alto (leia-se muito alto e grosseiro, bem mais alto que o padrão das mulheres da nossa família):

- O quê que tu tá falando aí?
- Só estou dizendo que não estou na vaga de ninguém e que estamos saindo.
- Ahhh, cala essa boca, Ô VACA.


Nessa hora eu montei num porco. Bati a porta do pobre Clio e fui em direção àquela careca.

- Como é que é? Do que o SENHOR me chamou?
- É! Vai se fopiii!


Ódio daquele homem. Se eu estivesse sozinha tinha metido a mão na cara dele porque minha educação tem limite, e ele acaba quando alguém não tem. Tinha idade pra ser meu pai, o animal. Meu avô até. Agressão gratuita me ferve o sangue. Mesmo assim, continuei chamando aquela uva-passa de SENHOR.

- Ãhn? O que o SENHOR disse? Tá me xingando por que, na frente de uma criança? O que eu fiz?
- Tá trancando a minha vaga!
- Não estou não SENHOR. O guarda me autorizou a parar aqui, o SENHOR pode estacionar na sua vaga sem problemas, tem um espação. E mesmo que não tivesse, o SENHOR não teve que esperar, eu já estava tirando o carro daqui.
- Vai se fopiii, vaca.


A essa altura, minha mãe estava verde de medo que ele tirasse uma arma da cintura. E eu estava vermelha de ódio já querendo cravar as unhas naquela cabeça e arrancar os dois fios de cabelo branco que ele tinha.

- O SENHOR é um mal-educado, baixo. Mora nesse condomínio mas devia morar na favela. Não, favela é muito pra alguém como o SENHOR. Podia ser meu pai. Aliás, deve ter filha. Ela sim, deve ser uma vaca.

Vovó Carmela me puxava pelo braço. Eu tremia de gana. O guarda, a essa altura, já tinha dito pro velho careca pai da vaca que ele seria multado pelo que estava fazendo e que teria seu nome registrado no livro de ocorrências do condomínio.

Quando minha mãe enfim consegue me arrastar em direção ao meu carro, resolvo que ainda tinha que dizer mais uma coisa praquele SENHOR, num tom de voz baixo, leia-se baixo mesmo, quase uma lady:

- Olha, o SENHOR não me conhece. Não sabe se sou vaca ou não. Mas eu não preciso te conhecer pra ter certeza de que TU É BROXA!

Deu ré, mudo e com mais nada entre as pernas além do rabinho.

Sábias palavras, Ale. Pessoas assim não podem estragar nosso dia. Nós é que podemos estragar a noite deles. Velho broxa. Que se foda. Sem piii.

Tuesday, April 29, 2008

Azeda

Estou há exatos 15 dias numa dieta de desintoxição. Ordens da Dra. Ortomolecular. Além de ter que engolir TODAS AS MANHÃS, em jejum, 100ml de água com o sumo de um limão, estou proibida de tomar bebida alcoólica e de chegar perto de qualquer tipo de doce. Sem açúcar e carboidratos, estou chata, respondona, irritada. Meu novo apelido lá no lugar onde ganho o pão preto light de cada dia: aminoácida.

Thursday, April 17, 2008

Sinal dos tempos

Diálogo entre duas amigas numa mesa de bar com dois homens.

- Saco.
- Quê?
- Esqueci meu celular no carro.
- E?
- Precisava mandar um sms a-go-ra.
- Pra quem?
- Pra ti.


Porque a gente não tem mais idade pra ir ao banheiro em dupla.

Saturday, March 29, 2008

The beauty and the little beast

Assistia eu ao Superbonita no GNT quando João começa a insistir pra eu liberar a tevê da sala, onde está ligado seu Playstation II.

- Espera, guri, o videogame não vai fugir.
- Mas mãe...
- Calma, João, deixa meu programa acabar.
- Mas mãe...
- Falta pouco, filho, seja paciente.
- Mas mãe, pra que ficar vendo esse programa? Isso só vai fazer tu te sentir mais feia.


...

Sairemos do ar por alguns intantes para troca de equipamento.

Sunday, March 16, 2008

No fundo do mar tinha uma pérola

Minha mãe e eu comendo no McDonald´s:

- Minha filha, tá tão magrinha, mais ainda com essa calça preta...
- Tô?
- Tá, parece um Neminho.
- Neminho?
- É, um Nemo.
- Ué, eu pareço um peixe por que? Grande em cima e com a cintura fina?
- Hahaha! Não, peixe não, Nemo! Aqueles que ficam em bando aqui na frente do shopping, bem magrinhos e vestidos de preto.
- ...

Friday, February 22, 2008

(L)

E eu que sempre me achei íntima das palavras, hoje sou uma estranha. Elas me fogem. Não as reconheço. Me intimido, me constranjo, me perco e me afundo num universo de combinações que não me deixam escrever. Muito menos falar. Não me faltam palavras. Sobram. Por isso escorrego entre tantos verbos, adjetivos, pronomes. E um nome. Um único nome. Me sinto só uma letra, minúscula no meio de um alfabeto. Mas essa letra, ao lado de outra letra, formaria o início da história linda que eu gostaria de contar, se as palavras, verbos, pronomes e o único nome que preciso para escrevê-la parassem de fugir de mim.

Tuesday, February 19, 2008

Meu pequeno enorme amor


"Eu faço uma mágica e tudo vai ficar bem!"

Quem é mãe, sabe: ver um filho chorando dói muito. E hoje tive a certeza de que o contrário também não é fácil. Criança percebe tudo. Criança sente tudo. É bom preservá-las, sempre. Mas, caso não dê, o melhor sem dúvida é falar a verdade. Nem tente enrolar.

João me pegou na tampinha. Sequei lágrimas, disfarcei, tentei o truque do cisco no olho. Mas ele não é bobo. Resolvi, então, ter uma conversa sincera, clara. Contei por que eu chorava, com todas as letras, sem rodeios. Ele ouviu, com lágrimas nos olhos, mas firme e sem piscar. E me disse, do alto dos seus (quase) nove anos:

- Mãe, vai dar tudo certo. Eu sei que vai. Agora, tenta esquecer. Nem que seja por alguns minutos. Não pensa nisso. Pensa em coisa boa.

A essa altura eu já soluçava sem pudor, claro. Onde já se viu, "nem que seja por alguns minutos"...

- Eu vou colocar uma música e ela vai te ajudar a esquecer. Tá?

No rádio, tocava Fulgás. Então, a música acabou. E ele:

- Viu, mãe?
- O que, meu filho?
- Eu falei que tu ia esquecer. Esqueceu, né?


Claro. Por alguns minutos. Esqueci do que me fazia chorar. E lembrei de como essa criança me faz rir.

Monday, February 18, 2008

Meu todo



É isso o que eu quero. Tatuado na minha pele, na minha alma, na minha vida. Todos os dias, todas as noites. Na hora de acordar, na hora de dormir. Na hora de brigar por causa de bobagem, de emburrar por pura manha, de secar o chão da cozinha. Na hora de fazer as pazes. Na hora do beijo, do abraço, de dar as mãos. Na hora de sermos um. E também quando somos dois, três e, um dia, quatro. É disso que eu preciso para os meus futuros anos. De segunda a segunda, em feriado, dia útil, dia santo e férias. É tudo o que eu quero, do dedo do meu pé até o último fio dos meus cabelos curtos. É isso o que eu espero para o resto dos meus domingos. Espero. Te espero. Porque eu quero isso e mais nada. O resto, é resto.

Friday, January 11, 2008

Mais uma do Joãozinho

João assistindo comigo a uma entrevista com Gisele Bündchen, um pouco antes da sua primeira entrada na passarela do Fashion Rio.

- Quem é essa?
- É a Gisele Bündchen, João. Modelo. É considerada a mulher mais bonita do mundo.
- A mulher mais bonita do mundo? Ah, mas não é MESMO.
- Tu não acha?
- Não.


Olha mais um pouco, em silêncio. Vira pra mim e diz:

- Essa mulher não come?


Então a mulher mais bonita do mundo é questionada sobre seu estado civil e responde as gargalhadas que é solteira. Um prato cheio para que o pequeno João conclua:

- Eu falei que não era. Impossível a mulher mais bonita do mundo não ter marido.

Tuesday, December 11, 2007

Wellcome to my life



Eu só queria de vez em quando poder andar de carrossel.

Tuesday, December 04, 2007

Daniella, hoje, ao GANHAR um ingresso para o show do Police

Wednesday, November 28, 2007

Brinquedinho novo

Não vai mais colar dizer pro chefe que sou grande mas não sou duas.


Tuesday, November 27, 2007

Like Frankie said I did it my way

Eu não gosto de aniversário. Não espero que seja um dia diferente de outro. Se puder esconder de todo mundo o meu, melhor. Mas tenho que confessar que gosto de boas surpresas. E gosto de abraços apertados. Choro com scraps, mesmo que o Orkut facilite a lembrança até daqueles que não decoram nem a data de nascimento da própria mãe. Me emociono com palavras sinceras. Adoro e-mails escritos pra mim, só pra mim, onde latejam sentimentos que eu nem sabia que existiam. Adoro receber telefonemas inesperados ainda que num dia onde o que mais se espera são justamente telefonemas.

O dia 27 de novembro de 2007 me rendeu as tais boas surpresas. Dos telefonemas de quem não se espera até o almoço de última hora com pessoas que moram no meu coração mole. Do buquê de flores mais inesperado ainda, entregue por um doce amigo, até o presente que apareceu do nada em cima do meu teclado, vindo de uma pessoa que mal conheço. Presente também foi a conversa por escrito com alguém muito, muito especial, com quem não falava há um bom tempo e de quem sinto saudades. Muitas.

Eu não gosto de aniversário. Mas nada como a experiência dos anos e um dia surpreendente para me fazer mudar de idéia. Afinal, como diz minha amiga Kelen, "o dia do nosso aniversário é um dia meio mágico, que faz milagres na nossa vida e com a gente mesmo".

Eu não esperava. E hoje foi um dia maravilhosamente surpreendente.

Wednesday, November 21, 2007

Amar é...

Ele me faz carinho antes de dormir. Ele me acorda passando a mão na minha barriga. Ele coloca a mão na minha coxa enquanto estou dirigindo. Ele me liga pra dizer que está com saudades. Ele me manda mensagens pra dizer que me ama. Ele também diz que me ama olhando nos meus olhos. E ele me surpreende, me emociona, me faz feliz e faz meu amor aumentar a cada dia.

Ontem à noite, cansada depois de mais um dia daqueles, me atirei no sofá. Liguei a televisão. E fiquei lá, jogada. Ele veio do quarto, me olhou docemente. Parou na minha frente, se ajoelhou, feito um príncipe. Tirou algo do bolso, pegou minha mão esquerda e disse, enquanto colocava lentamente um anel de prata no meu dedo:

- Você aceita ser minha mãe pra sempre?

Aceito, João. Como não aceitar a única certeza que tenho nessa vida?

Monday, November 19, 2007

Um viva para os tradutores de filmes

Se eu morasse dentro de um filme, como eu sempre quis, um filme assim, de ação-aventura-romance, este seria o momento em que o mocinho-narigudo-charmoso diria:

- Temos que salvar Daniella. Ela está em apuros!

Tuesday, October 30, 2007

E o que é que a gente não faz por amor

João, domingo passado, entrando em campo com o Tcheco no Olímpico antes do jogo Grêmio e Náutico. Já não choro mais de frustração por não ter um filho colorado. Choro de emoção por ter um filho feliz.

Sunday, October 21, 2007

1 ano e 7 meses

Até o fim do ano periga ele estar falando toda a escalação do Inter. Ou do Borussia Dortmund. Algo tipo Weidenfeller, Kringe, Brzenska, Wörns, Dede, Kruska, Njambe, Tinga, Federico, Klimowicz e Nöthe.

video

Monday, October 15, 2007

Reality bites

A cada dia que passa tenho mais e mais certeza de que li contos de fadas em excesso na minha infância. Como se não bastasse, também vi romances demais na minha vida. Tenho um amigo que diz que tudo é culpa do cinema. Todos os nossos desejos, nossas idealizações, nossos complexos, nossas frustrações, nossas esperanças. Eu concordo, mas culpo antes os roteiros, as sinopses, os argumentos, os contos, os livros, a História.

Definitivamente, eu vi Sessão da Tarde demais. E assisti mais do que exageradamente todos os filmes do John Hughes. E acreditava na pureza da Julia Roberts em Uma linda mulher, mesmo com suas botas de vinil em plena Hollywood Blvd.

É. Foi-se o tempo do príncipe montado no cavalo branco. Hoje ele vem a pé. Ou pede carona pra uma colega do trabalho. Ou nem vem, mesmo que tenha marcado com a gente. Fica por lá mesmo, com a tal colega do trabalho, e manda o cavalo sozinho na frente pra ganhar tempo e pensar numa desculpa qualquer. E longe de mim pensar que ele próprio poderia ser um cavalo.

Os anos passaram e nunca mais vi Sessão da Tarde. Acho os príncipes uns babacas e as princesas umas sem-graça. Gosto dos bravos, dos corajosos, dos de voz forte. Dos que nem gostam de princesinhas de pele alva e bochechas cor de pêssego.
Gosto de reis. Os reis não só mandam fazer como vão lá e fazem. Os reis não têm meio termo. Ou são amados ou odiados.

Henrique VIII, por exemplo. É com ele que eu dou uma sonhadinha de domingo pra segunda, após mais um episódio de The Tudors. Sonho sim, mas com Jonathan Rhys Meyers, a ilusão. A mentira.



Henrique VIII é a verdade. E, não tem jeito, na ficção ou na realidade, a verdade sempre dói.



(The Tudors: domingos, às 23:00hs, no People+arts. Reprises nas quartas, 21:00hs. Vale dizer que os episódios de quarta têm cortes, sem as cenas de sexo e violência.)

Sunday, October 07, 2007

Pequeno Goya

Depois de passar quase três horas no cabelereiro, comento com o João:

- Ai que saco... isso demorou muito. Fulana é muito lenta pra pintar cabelo.
- Mãe, blablablablabla.

Como? Eu só posso ter entendido errado.

- O quê, João?
- Mãe, não se apressa a arte.


João frequenta exposições. João faz visitas a museus. João foi à Bienal. João é, definitivamente, um artista das palavras.

Tuesday, September 25, 2007

Até

Recebo um email da profissional aqui da agência responsável pelas viagens:

- Preciso do teu RG e da tua preferência por assento no avião.


- Tanto faz janela ou corredor. Só não quero no meio. Meio, nem pensar. Não dá, né? Dormir com a cabeça pendurada no vizinho é humilhante. E pendurada pra frente, dói. Prefiro as poltronas lá na frente, beeem na frente. Melhor ainda se for na primeira fila. Tem espaço pra esticar as pernas e fico longe da asa. Perto da asa treme muito. E lá no fundo eu não gosto. Me dá uma sensação ruim quando o avião decola. Parece que vou ficar pra trás.

Minutos após minha resposta, chega a de um amigo que vai na mesma viagem e estava copiado no email:

- Pra mim pode ser em qualquer lugar. Até do lado da Dani.

Agradeço a ele por não ser assim tão exigente.

Friday, September 21, 2007

Orgulho carioca

Mãe, mãe! É aqui que eu trabalho. Com essa gente toda. E tá vendo aqueles ali, num palco improvisado? Pois então, são meus chefes. Um dia, eu fico rica. Por enquanto eu me divirto.

Alguém tem que cuidar do loja

Enfim alguma coisa além do meu corpo robusto está tomando forma: idéias e mais idéias começam a sair do papel, como a camiseta aqui debaixo, produzida pela La Película. Encomendas, no meu e-mail ou direto no site deles. O leitinho das crianças agradece.

Sunday, September 16, 2007

Ponto para os meninos


Há tempos não lia Carpinejar. Aquele universo de poesia, belas palavras e romantismo não tocava mais meu coração. As emoções batiam e voltavam. Porém, numa noite de sábado com tosse, pijama e máscara hidratante no rosto, me entreguei à leitura de um texto que encontrei fuçando nos escritos do poeta: estava lá, a conclusão que há muito venho procurando, mesmo não sabendo que procurava: "Quando um homem entende demais, seduz. Quando um homem não entende nada, ele se apaixona."

Quem mandou eu me explicar.

Friday, September 14, 2007

Meu canto

A minha cara. Mentira. Muito mais bonito que a minha cara. Olha lá, no Entre Paredes, novo blog da minha amiga-arquiteta-irmã-mais-nova Kelen Tomazelli.

Wednesday, September 05, 2007

Novela de catigoria

Andam dizendo que ninguém matou a Taís. Que quem morreu foi a Paula. Se isso for verdade, vai ser a primeira novela a deixar o mocinho órfão de mocinha no final. E a ter um enterro em vez de um casamento no último capítulo. Se isso realmente for verdade, Gilberto Braga ocupará, enfim, o lugar de Janete Clair no meu coração.

Tuesday, August 28, 2007

Tortura



Pilates a partir de amanhã. No pain, no gain. O próximo passo é parar de tomar refrigerante, daqui a uns 20 anos.

Monday, August 27, 2007

Outra do Joãozinho

Oito meses antes e João já está ansioso com sua próxima festa de aniversário. Este ano íamos comemorar com um festão junto com a prima, mas problemas de agenda acabaram cancelando nossos planos.

Ontem, deitados na minha cama e conversando no escuro, ele engata uma primeira, meio sonado:

- Mãe, tava pensando... O tema da minha festa podia ser Transformers!
- Podia mesmo. Transformers é legal.


Silêncio. Sono.

- Mãe, pensando melhor, a festa podia ser dos Simpsons!
- Ótima idéia, João. Simpsons é perfeito pra uma festa.


Enfim, vamos dormir.

- Mãe, mudei de idéia. Ano que vem vai ter outro filme do Batman! Minha festa vai ser do Batman!
- Isso, filho. Que bom. Se bem que tanto filme vai ser lançado até abril que tu vai mudar de idéia várias vezes... Agora vamos dormir, tá?


...

E quando eu penso que ele já está no décimo sono:

- MÃE! Já sei! Minha festa podia ser do Primo Basílio!

Quatro da tarde e, desde já, desejo uma boa noite a todos. E que meu irmão não leia blogs. Ou pelo menos que nunca tenha lido Eça de Queiroz.

Wednesday, August 22, 2007

Megazord

“...Na volta, em Roma, comprei uma coisa pra ler: um Guardian - jornal inglês - e lembrei de ti com um artigo que eu li. Achei querido e verdadeiro. Eu não ficaria surpreso e até torci para encontrar "Daniella Ferreira" na assinatura dele. Não só pelo tema, mas pela forma de escrever, sentimentos e afins. Enfim, guardei porque achei que tu iria gostar.”

E gostei. Gostei muito. Do artigo e de ser lembrada por ti lá na Europa, assim, do nada, em pleno Leonardo da Vinci – melhor nome de aeroporto, palavras tuas. Quem me dera escrever assim, ainda que em português. ;)

Who knew a bad girl could be a good mum?

A rock critic who once got married in a gorilla mask, Evelyn McDonnell worried that having a child would curb her spirit. In fact, it made her more radical than ever.

The other morning, I had an argument with the chauvinist pig with whom I frequently share a bed.

"What Power Ranger do you want to be?" Cole asked.

"The red one," I said. (If there's one thing I've learned in the past few years, it's that the red Power Ranger gets the most action.)

"Girls can't be red ones!"

"Girls can do whatever boys do, honey," I said, rising into a sleepy battle pose to prove it.

"No way. You're the pink Power Ranger."

"Do you really think pink is my colour?" I asked, flexing the Chrysler Building tattoo that rises out of an aquamarine sky on my left bicep. "Transform, Power Ranger, power of the Phoenix!" I shouted.

Then I began tickling my opponent until he sobbed with laughter: "Mummy, stop it!"

At four years old, my son is something I thought I would never say, unless I was describing, in appreciative terms, the fierce guitarist of some all-dyke punk band. Cole is "all boy". He is forever running around our Miami Beach bungalow saying, "Whoo-yah!" and when I try to get him to play something nice - like letting his little dinosaurs relax and enjoy a tea party - the toy tableau inevitably winds up in a massacre. Cole, the only genetic offspring of a punk-loving pacifist, likes war.

If there had been a caption in my high-school yearbook that read, "Least likely to parent," it would have been under my picture. Suzi Quatro, not Suzy Homemaker, was my 1970s tomboy-childhood role model. In high school I stared endlessly at a Patti Smith poster on my bedroom wall and sang along with her: "Jesus died for somebody's sins, but not mine." I eventually followed my poetess muse, leaving the American midwest for the urban east and becoming not a rock star, but a rock critic (one of Patti's sometime pursuits).

My passions were literature, music, travel and sex; I was a bohemian adventurer-cum-career woman. When "riot grrrl" bands such as Bikini Kill and Tribe 8 led a merging of punk and feminist rebellion in the early 1990s, I marched down New York's Fifth Avenue under their pirate banners, topless and smeared, Slits-like, in mud. I revolted against femininity with purple hair, rapacious lust, a zine called Resister, and an anarcho-feminist wedding in which I strode out playing the wedding march on an electric guitar and wearing a gorilla mask. (The image endures; the marriage doesn't.)

It's not that I didn't want to have kids. Family was just low on my to-do list. And as it took me longer and longer to scratch out the higher-priority items - become a famous author, write a great song, find my true love - I began to wonder if I would ever get to it. I was also scared. Of the responsibility. Of how parenting would change me. Of being a lousy mum.

Finally, in my 38th year, I found the husband who stuck, and became pregnant. My body went through a transformation that I surprised myself by loving - I had breasts! I offended matronly types at gigs by showing off my potbelly (which, as my son jostled inside, I dubbed "the mosh pit").

The commercial cliche decrees "a baby changes everything" and Cole's birth was certainly the single most transformative experience of my life. He became my anchor, the substantive connection to life and the world that I had sought, maybe too desperately, in romance. He was my daily reminder to savour the moment, and the reason why I needed to create hope for a future. Cole takes and hurls back all the love I had been wantonly tossing at life, without diminution or qualification. He has given me a faith in myself that I spent years fruitlessly trying to drag out of the male hierarchy at the rock magazines I worked at. Who knew a bad girl could be a good mum?

But "everything" is a big word. Eventually I emerged out of the sleepless, hormonal tunnel of love that is parenting during a baby's first couple of years and realised the things that hadn't changed. Confronted with the realities of a country that claims to be leader of the free world but doesn't provide universal health care, parental leave, or child care, I found that I was more of a feminist than ever.

Having already been a stepmother to my husband's two daughters had certainly taught me a little about the sometimes ego-effacing demands of parenting. Nothing can burst a hipster's bubble like two beautiful, stylish teenage girls. Karlie and Kenda taught me that it was OK to not always be the centre of attention; they showed me a new meaning of the old riot-grrrl phrase: "Support girl love."

Our non-traditional cut-and-paste job is typical of a "new generation" of families. Raised on alternative lifestyles, newspapers and rock, my peers and I are now alterna-mums and alterna-dads. We tend to be in our 30s and 40s when we have kids; we are families with two mums, adoptive parents, or unwed partners. "Conscious parenting," as one member of a kid rock-group, the Sippycups, has called our approach to child-rearing, runs deeper than dressing our offspring in romper suits bearing the logo for now-defunct punk venue, CBGB. It is about raising our kids to share our beliefs and our value system. Punk isn't just a style, it's a way of taking on the world, a protest, a voice and a mission.

The single woman's fear is that a child will steal her independence. Granted, post-Cole I can't stay out late at night as much as I used to, but rather than "settling down" and having kids, I've realised I have to up the ante. After all, I now have a vital, personal stake in the future, for whom I have to work all the harder to make the world an egalitarian, green, free and safe place - with really fierce music.

In my case, that means reminding Cole that there are female Power Rangers too, and that they don't all wear pink. I worry that my son is growing up, post-backlash, in a more sexist culture than the one I enjoyed in the relatively liberated 1970s. These are pugilistic, feudal times; every girl has a princess party, all the boys are warriors.

My children have taught me what should have been obvious: that mothering is as important a part of the feminist fight as being a successful career woman or a punk artist. I'm a warrior, too - now more than ever. I may pick my battles a little more wisely - but watch out for my Megazord move.

Evelyn McDonnell


Beijo da Power Ranger Preta pra ti, M.H.

Monday, August 20, 2007

Rindo por dentro

Foram quase duas horas na sessão de limpeza de pele. Procedimento caro, aparelhos de última geração, atendimento cheio de nove horas e uma lista infinita de cremes milionários prescritos pela esteticista metida a PhD que passou as mesmas duas horas repetindo que minha pele era boa, mas que nela estaria faltando vício.

Meia hora fazendo as unhas da mão, R$11 por uma picada de alicate no canto do dedo e um esmalte baratinho da Colorama. Papo vai, papo vem - porque manicure e falta de assunto são duas coisas que não co-habitam - e a menina me conta sobre a pechincha que pagou por uma bota de película.

Saturday, August 18, 2007

¿que haré?



Yo no sé qué será de mi ahora
Yo no sé qué será de tí.
Habrá que esperar.

Decidir, elegir, qué llevar, qué queda
Embalar, viajar...
¿qué será de mi jardín sin agua que lo riegue?

Vaca que cambia de querencia...
¿deberé o no volver? me arriesgaré aunque no quiera
Deberé salir a ver para entender que yo no sé qué será de mi
¿que haré?

Friday, August 17, 2007

A seguir cenas

Tem um outdoor atualmente em Porto Alegre que diz o seguinte: Loucura. Loucura é a falta de leitos psiquiátricos. Como publicitária afirmo que achei ruinzinho, criativamente falando. Mas como cidadã o que eu tenho a dizer é: providenciem logo esses leitos que faltam, por favor. Ou então liberem os louquinhos infensivos pra sobrar mais espaço pros perigosos e sórdidos, que se alimentam da sanidade alheia.

Estaria Gilberto Braga escrevendo o roteiro da vida real?

Wednesday, August 08, 2007

Madureza


Esta sou eu. Pelada, descalça e morando num barril de cachaça, na visão dele. Bom, tiraram minhas roupas mas pelo menos deixaram meu beiço. E afinal, quem se importa de ser pobre tendo amigos tão valiosos?

Apontamentos e desapontamentos

- Tudo isso cansa. Toda essa gente cansa. Todo esse desgaste cansa. Chega do mesmo. Quero mudar, conhecer pessoas novas.

- Isso se chama fugir. E não enfrentar é não viver. Pessoas novas só são novas até o primeiro contato. Depois são apenas pessoas.

Tuesday, August 07, 2007

Russian Dolls


Wendy: I know you're not always perfect. I know you have tons of problems, defects, imperfections... but who doesn't? It's just that I prefer your problems. I'm in love with your imperfections. Your imperfections are just great!
[... ]
I know most girls they get weak on their knees for what's beautiful, you know, that's all they see, that's all they want. But I'm not like that. I don't just see what's beautiful. I fall for the other stuff. I love what's not perfect. It's just how I am.


Seja um homem imperfeito. Mas seja homem. Seja você quem for.

Thursday, August 02, 2007

Everybody hurts

E tem aquela piada do fanho que queria um pênis maior e o gênio da lâmpada prontamente apareceu com um tênis de jogador da NBA.

Pois ontem eu desejei com todas as minhas forças uma massagem. Daquelas feitas por um japonês que sobe nas tuas costas e caminha feito uma pluma dissolvendo todos os teus nódulos. Eu só devia ter sido mais específica no desejo, já que hoje meu corpo lateja como se tivesse sido pisoteado pelo japonês errado.



Dói até a alma. Da saudade do que não vivi. Sou uma criança ranhenta pedindo atenção no sinal vermelho.

Tuesday, July 31, 2007

Alex Kid´s

Nasceu o primeiro filho virtual da minha amiga Alexandra. Aquela que até pouco tempo atrás estava grávida aqui do meu lado. Aquela que conheço há 18 anos. Aquela que comeu arroz de leite por 9 meses. Aquela que agora tem dois filhos e um blog pra alimentar.

Tuesday, July 24, 2007

Eu torço pra gêmea má

- Seu Olavo, a fulana está atrás do senhor.
- Que atrás de mim o quê. Olha o respeito. E desde quando eu sou homem de entrar em fila pra ter alguém atrás de mim?
- Desculpe, Seu Olavo, eu quis dizer que a fulana está procu...
- Quis dizer nada. Onde já se viu mensageiro falando com o diretor do hotel? Lugar de mensageiro é LÁ no fim da cadeia alimentar. Depois do plancton.
- ...

Sem mais para o momento,
Atenciosamente

Daniella Ferreira

Thursday, July 19, 2007

Las Bocas

O chão que nós beijamos:


O argentino que eu grudei:


O churros que nós mordemos:


E a boca mais perfeita de Buenos Aires, por onde só os nossos olhos passaram:


Mais fotos, acá.

Wednesday, July 18, 2007

Luto


- Não gostei muito da aterrissagem. Fiquei com medo.
- Eu adorei... Pra mim, que ando com um certo pânico de avião, não tem nada melhor do que sentir que as rodas tocaram o chão e que o pior já passou.


Sensação estranha de ter voado um dia antes. Sensação boa de estar em casa. Triste tudo isso. Muito triste. Que Deus proteja a todos. Os que foram e os que ficaram.

Tuesday, July 17, 2007

Buenos Aires Parte I - Durma-se com um barulho desses

4 da manhã no Hostel Palermo House. Sem citar nomes porque o que acontece em Buenos Aires, morre em Buenos Aires. A pior noite da viagem foi também a melhor. Rir da nossa própria desgraça é o melhor remédio. Não, não. O melhor remédio é Dormonid, que faz uma pessoa dormir profundamente, roncar feito um Cadillac velho e não acordar nem com cinco mulheres gargalhando ou PULANDO na cama de cima.

Friday, July 06, 2007

Usando meus sapatinhos de rubi

O corpo da gente não é bobo. Sabe que é sexta-feira. Sabe que amanhã é sábado. Mesmo que hoje fosse terça, véspera de uma quarta com feriado, saberia também. Sentiria. Porque o corpo sabe quando pode se permitir sentir aquela bobeira. Aquele cansaço de uma sexta que antecede uma manhã de sábado, com horas de sono a mais.

*

Estou cansada. Muito. Olhos ardendo de tanta luz de escritório. Pernas pedindo mais alongamento do que o feito logo após os 4km corridos na hora do almoço. Ombros tensos. Pedindo uma massagem dolorida, não carinhosa. Daquelas massagens que deixam as costas quentes de tanto atrito.

*

Ironia também me cansa. A minha própria, inclusive. Não sei ser de outro jeito. Queria ser doce, mas ficaria enjoada rapidamente. Prefiro o salgado da lágrima a uma torta coberta de merengue.

*

A Fox resolveu dublar todas as suas séries. O aeroporto de São Paulo vai estar em greve na próxima quarta. Minha mala está mentalmente pronta. E eu preciso baixar legendas pra entender o que os argentinos dizem.

*

Estou contando as horas para amanhã. Nunca quis tanto cortar os cabelos. Páginas e páginas de Elles e Vogues depois, não sei do que tenho mais receio: voltar pra casa com outra cara ou totalmente igual a sempre.

*

O corpo da gente não é bobo. Sabe que é sexta-feira. Mas o coração ainda acha que é uma segunda qualquer.

Friday, June 29, 2007

Sobre meninos e peixes

Então o mês passou, a semana passou, os dias passaram, as horas voaram e eu fui sugada pelo excesso de trabalho e, consequentemente, pela falta de tempo. Agora, nesta-sexta-feira-29-de-junho-de-2007, dia de pagamento, dia de sol e dia de pauta bem mais-ou-menos, me soooobra tempo. E me falta o quê? Assunto. Mas tudo bem, ando mesmo numa fase de achar que posso ser feliz em silêncio, sem tumulto, sem raciocinar, sem questionar por que existem tantas formas de se escrever porquês.

Me permito esquecer por alguns momentos meus grilos e minhocas. E falar sobre peixes. Mais especificamente o Candiru. Ou Peixe-pênis. A primeira coisa que vem à cabeça (não, não tem um trocadilho infeliz aqui) é que é um peixe que tem um formato semelhante ao de um pênis. Antes fosse.

Segundo o Dicionário de Animais do Brasil, esse bichinho nojento e comprido, bem fininho, "tem a perigosa mania de penetrar na abertura urogenital dos banhistas, principalmente nos homens". Ou seja, veja bem onde você vai dar banho no seu pênis e pense dez vezes antes de se refrescar no Rio Amazonas sem sunga.

Ao urinar na água, a pessoa está dando sinal verde para que ele ataque, pois o maldito se sente atraído pela uréia. Dizem os especialistas que se houver alguma tentativa para retirá-lo da uretra, o Candiru abre os dois dentes (semelhantes a espinhos) que ficam lateralmente embaixo da cabeça, rasgando o tecido. Ai. A única maneira de tirá-lo é através cirurgia, só que até chegar num hospital, seus testículos já estarão do tamanho de um peixe-boi.

Fico imaginando - sim, porque quem me conhece sabe que imagino TUDO - esse peixe metido à cobra entrando por aquele furinho tão ínfimo e passando apertadinho por todo o "trajeto" do pênis, indo sei lá pra onde. Me vem aquela imagem do Pequeno Príncipe, quando o aviador desenha um chapéu que ele afirma ser uma cobra que engoliu um elefante.

Então o mês passou, a semana passou, os dias passaram, as horas voaram e eu fui sugada pelo excesso de trabalho. Bom, pelo menos foi só pelo trabalho.

Bom fim de semana a todos.

E que a partir de segunda eu tenha mais tempo. E mais assunto.

Tuesday, June 26, 2007

Sinal de vida

Trabalho, trabalho, trabalho e seriados têm tomado meu tempo. Espero voltar em breve. Tipo amanhã.

Saludos.

Thursday, June 21, 2007

Me descobriram

Fiz uma coisa meio ilícita hoje. Foi por uma boa causa, por necessidade, por urgência urgentíssima, quase que por desespero. Fiz, assumo. Não chegou a ser uma mentira, eu acho. Omitir não é mentir, é?

De tarde dei uma entradinha num site pra ver como andava a tal situação urgente urgentíssima. Digitei os dados, os números, os nomes, os tudo. E apareceu o verificador de palavras, com aquelas letrinhas que nunca dizem nada: LIAR.

Medo.

Friday, June 15, 2007

Furos fotográficos


Tô com a impressão de que a Globo tá usando nas cenas de corpo da Camila Pitanga o mesmo filtro que usava para disfarçar as rugas do rosto da Regina Duarte.

Mesmo assim segue linda e gostosa a menina. Como todas nós simples mortais podemos ser, dependendo da lente de quem vê.

Tuesday, June 12, 2007

30 dias e contando



Uma viagem em números:
- 8 mulheres
- 300 emails por dia. Ou mais.
- 8 cheques de alguns Reais. Fora os centavos.
- 8 malas. Ou mais muito mais.
- 1 hora e 15 minutos de vôo para umas; 6 horas, 2 escalas, 1 paradinha no aeroporto de Assunción/Paraguai para outras. Tudo isso multiplicado por 2.
- 16 barrinhas de cereal de abóbora com coco. Ou menos.
- 1 amigo iraniano
- 1 bomba
- 2 quartos
- 1 banheiro e meio
- 40 deliciosos cafés. No mínimo.
- 70 garrafas de Quilmes. No máximo?
- 56 refeições. Ou 66. Ou 74. Ou 10, dependendo do número de sacolas de compras.
- Uns 40km de táxi, mais uns 20 de ônibus, outros 20 de metrô e pelo menos 30 a pé.
- 4 dias
- 4 noites
- 4 madrugadas
- ...
- ...
- ...

E uma infinidade de risadas, palavrões, micos, bobagens, diversão, fotos e, principalmente, milhares de histórias pra contar. Tá bom, tá bom: umas duas ou três a gente guarda só pra nós.
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